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Violência

Mulher que perdeu dois filhos e teve corpo queimado pelo ex-marido ainda luta por justiça

Bárbara Penna foi espancada, teve o corpo incendiado e foi arremessada do terceiro andar do apartamento pelo então companheiro, em 2013. Crianças de dois anos e três meses morreram no incêndio

Plantão de Polícia

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06/09/2019 13h54
Por: Por Redação
Fonte: G1
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Aos 25 anos, Bárbara Penna carrega no corpo e no rosto as marcas da violência que sofreu do ex-marido, em 2013. Mas a maior cicatriz, ela carrega no coração: a dor de ter perdido seus filhos Isadora, de dois anos, e João Henrique, de apenas três meses, no mesmo incêndio em que foi ferida. Ela ainda foi espancada e arremessada do terceiro andar do apartamento onde morava. O responsável por toda essa crueldade é João Guatimozin Moojen Neto, com quem a vítima viveu durante três anos. Ele foi condenado a 28 anos de prisão.

 

"Quando ele me jogou do terceiro andar - ainda em chamas - depois de me espancar, ele tentou colocar a culpa em mim", contou Bárbara.

 

 
Além de ter o corpo queimado pelo ex-marido, Barbara Penna perdeu os dois filhos no incêndio — Foto: TV GloboAlém de ter o corpo queimado pelo ex-marido, Barbara Penna perdeu os dois filhos no incêndio — Foto: TV Globo

Além de ter o corpo queimado pelo ex-marido, Barbara Penna perdeu os dois filhos no incêndio

A tragédia

 

Bárbara foi queimada viva e atirada do terceira andar do apartamento em que morava, em Porto Alegre. Foram quatro meses internada no hospital. Sobreviveu a três paradas cardíacas, teve diversas fraturas, passou 38 dias em coma e enfrentou mais de 200 cirurgias.

 

Os sinais

 

 

"A gente nunca imagina que uma pessoa que um dia disse que amava vai nos matar... Mas a tragédia não aconteceu do dia apara noite. Teve indícios, agressões verbais e físicas."

 

 
Os filhos de Bárbara morreram no incêndio — Foto: TV GloboOs filhos de Bárbara morreram no incêndio — Foto: TV Globo

Os filhos de Bárbara morreram no incêndio — Foto: TV Globo

 

Denúncia

 

 

"Antes de acontecer, fui à delegacia, mas fui desestimulada pelos funcionários e nossos familiares. Diziam que tinha que tentar de novo, que a gente tinha filhos. A forma que entrei foi a mesma que sai."

 

Atualmente, o agressor está preso, mas Bárbara tem uma medida protetiva contra o pai dele:

"Após a tragédia, tentei uma medida protetiva porque fui ameaçada por ele. E sou ameaçada pelo pai dele, que é advogado criminal. Consegui a medida, que normalmente não se expande a terceiros, mas foi descumprida. Ainda estamos numa luta muito árdua."

 
Mulher teve corpo queimado pelo ex, em 2013 — Foto: TV Globo Mulher teve corpo queimado pelo ex, em 2013 — Foto: TV Globo

Mulher teve corpo queimado pelo ex, em 2013 

Força para recomeçar

 

"Inicialmente, a minha forma surgiu na minha luta por justiça. Enquanto ainda estava no hospital, desenganada pelos médicos, com infecção generalizada, coloquei na minha cabeça que: se eu morresse, a versão seria diferente. E, claro, a todo momento da minha internação, sempre achei que meus filhos estavam bem. A minha luta por justiça sempre foi acreditando nisso. Achava que sairia dali para cuidar deles. Só soube o que tinha acontecido com eles quatro meses depois, nem pude me despedir."

 

A condenação

 

João Guatimozin Moojen Neto foi condenado a 28 anos de prisão. Ele já cumpriu seis anos da pena. Mas em 5 anos ele já poderá ter direito ao regime semi-aberto, por ser réu primário.

 

"Foi um mix de sensações, porque estava com muito medo dele ser absolvido. Assim como ele foi absolvido de uma das mortes: um vizinho tentou ajudar e morreu. E ele foi absolvido por essa morte. Ali era uma briga da minha verdade contra a dele."

 

 

O recomeço

Bárbara conseguiu se recuperar e recomeçou a sua vida. Ela se casou novamente e tem uma filha:

 

"Meu marido e minha filha são um grande estimulo. Tem pessoas maravilhosas comigo. E a esperança também me move."

Ajudando outras mulheres

 

"Tento ajudar outras mulheres a não passarem pelo que passei. Hoje, meu trabalho não é voltado só para aquela mulher que sabe seus direitos, que vai até à delegacia, faz o boletim de ocorrência, que consegue a medida protetiva. Meu trabalho principal é focar naquela mulher que não é empoderada, que não sabe onde pedir ajuda, aquela mulher que não tem família, que depende financeiramente daquele homem. Quero atingir essas mulheres."

 

"Estou sempre pensando nas mulheres porque eu poderia não estar aqui contando a minha história, como muitas não estão."

 

⚠ Em uma estimativa feita pelo Instituto Maria da Penha, a cada dois segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. Para denunciar, ligue 180 - que é a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

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