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Fuga de uma ditadura: a saga dos venezuelanos no Brasil

VEJA acompanhou a jornada de dezenas de pessoas que fugiram da crise que assola o país vizinho e cruzaram a fronteira em busca de uma vida melhor

CIDADANIA

CIDADANIAA cidadania é um direito de todos

02/08/2019 17h06
Por: Por Redação
Fonte: Veja.com.br
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Fuga para LIBERDADE
Fuga para LIBERDADE

Na chuvosa manhã do último sábado, 20, um Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) fez valer seus quatro motores para levantar voo de Boa Vista, em Roraima, rumo a Florianópolis, distante 5 000 quilômetros. Desenvolvida em 1951 nos EUA, a aeronave foi projetada para atender a fins militares. No entanto, a decolagem naquele dia de pista molhada nada tinha a ver com guerra. A missão era de paz: levar 63 refugiados venezuelanos, entre eles vinte crianças, para Santa Catarina, onde passariam a residir com familiares ou em abrigos. Um dos passageiros era Carlos Montaño, de 28 anos: “Estou com medo por ser a primeira vez que voo. E por não ter ideia do que nos espera”, admitiu ele. Carlos, a mulher, o filho e outros quatro parentes haviam vivido dois meses na rodoviária de Boa Vista, até serem atraídos pela Operação Acolhida, capitaneada pelas Forças Armadas desde março de 2018, junto a órgãos do governo federal e agências da ONU, com o objetivo de providenciar moradia, alimentação e trabalho aos que fogem da ditadura de Nicolás Maduro — e da miséria que atinge 90% da população da Venezuela.

Em cinco semanas de junho e julho, a reportagem de VEJA conversou com mais de oitenta venezuelanos que atravessaram a fronteira com o Brasil para escapar da crise que assola seu país. O que essas famílias vivem é uma autên­tica odisseia. O trajeto é feito sempre de forma improvisada. Nos primeiros trechos, o usual é recorrer a caronas ou a ônibus com passagens mais baratas. Contudo, ao chegarem perto do limite com Roraima, os imigrantes muitas vezes seguem a pé — os motoristas hesitam em cruzar para o lado brasileiro, a não ser quando são bem pagos para isso. Já foi pior. Entre fevereiro e maio, quando a fronteira do lado venezuelano esteve fechada por determinação do governo Maduro, muitas famílias entraram no Brasil pela mata. Para tanto, recorriam aos compatriotas indígenas, que conhecem melhor a região.

 NA RUA – É como vivem os que esperam vagas em abrigos de Roraima

NA RUA – É como vivem os que esperam vagas em abrigos de Roraima (Jonne Roriz/VEJA)

No voo do Hércules da FAB, ninguém passou por essa situação. Entretido na leitura de uma obra didática sobre o Brasil, o neurocirurgião Diover Gonzalez, de 59 anos, apertava embaixo do braço o seu diploma — emoldurado. Ao seu lado sentaram o filho, advogado, e a mulher, enfermeira. “A saúde pública em Boa Vista é péssima”, disse Gonzalez. “Mesmo assim, eu e minha companheira não conseguimos nenhum tipo de trabalho, pois nossas graduações não foram consideradas válidas.” Na capital roraimense, eles viveram com economias que haviam reservado na Venezuela justamente para fugir. A poupança durou apenas dois meses. O médico recorreu então à Operação Acolhida, a fim de conseguir ajuda para chegar com a família a Santa Catarina, onde deve morar na residência de outro filho, que se estabeleceu no país meses atrás.

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